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março 28, 2005

Ônibus e São Paulo

Notícias de hoje da Folha de São Paulo:

Por que será que eu não fiquei particularmente feliz de ler as notícias hoje?

Publicado por j_kern_rs às 12:03 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 27, 2005

Como passar um feriado sozinho na megalópole de concreto

Dê uma passeio pela Avenida Paulista, e aproveite para ficar ilhado numa livraria enorme graças a uma chuva inesperada. Namore alguns livros, mas resista bravamente.

Tome um capuccino no Franz Café.

Finalmente, em casa, leia um livro do Philip Roth que você conseguiu achar num sebo um dia desses. Aproveite para ouvir bastante Dave Matthews Band, principalmente seu álbum favorito. Tudo isso após batalhar durante horas para finalmente conseguir encontrar um catalogador de MP3 decente para Linux e, com isso, libertar-se dos últimos grilhões que o ligavam ao famigerado Windows.

Por fim, é claro, adie o trabalho que você tinha que fazer o máximo possível. E eu não posso deixar de dar suficiente ênfase a esse ponto. Sem ele, seu final de semana não estará completo.

Publicado por j_kern_rs às 02:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 24, 2005

A vida é um milagre, mas dessa vez, foi decepção (cinema)

Life is a Miracle

Quarta passada vi Sideways e sai do cinema agraciado com muito mais do que eu esperava ao entrar. Ontem, tive exatamente a sensação oposta. Emir Kusturica dirigiu um dos filmes mais interessantes que já vi, chamado por aqui de Underground - Mentiras de Guerra (ah, os subtítulos...). Por isso, por pouco não corri na pré-estréia para ver seu novo A Vida é um Milagre. Se você procurar nas críticas, vai ler que o filme segue o estilo típico de Kusturica, ou seja, uma história meio caótica, meio anárquica, com as cenas sempre movimentadas, temperadas pela música da sua banda particular -- a No Smoking Orchestra. A trilha sonora sempre é um dos pontos altos dos filmes do diretor -- neste não é diferente. Também vai ouvir que o filme tem uma belíssima fotografia, etc... Afora os pontos técnicos, o que você não vai ler é que o filme simplesmente não funciona. Aliás, eu não vi o filme começar. Esperei aquele momento em que você "entra" no filme, em que mesmo o anarquismo de Kusturica começa a fazer todo o sentido, mas simplesmente passaram-se as duas horas e meia de projeção e esse momento não chegou. Para mim, o filme terminou sem haver começado. A fotografia é lindíssima, o jegue apaixonado é impagável, mas infelizmente o filme não convence. Aliás, o que de bom ficou após a projeção, não foi mais que Natasa Solak, a heroína que Kusturica achou para seu novo filme. Infelizmente, nenhum filme sobrevive só de beleza.


PS: leitores atentos dirão, eu não disse que deveria estar em casa, de castigo, até não apresentar meu seminário hoje? Pois é, exatamente, deveria.

Publicado por j_kern_rs às 01:16 PM | Comentários (2) | TrackBack

março 23, 2005

Sensatez

Estou feliz da vida com o apartamento novo, conexão de rede decente, uma cozinha bastante razoável e agora, para completar, estou finalmente dormindo numa cama decente. Num belíssimo e mui confortável futon, na verdade. Está tudo tão legal que, não fosse eu uma pessoa sensata, passaria o tempo todo aqui, ouvindo música e lendo confortavelmente no futon.

Sensatez à parte, como na quinta tenho que conciliar minhas idéias sobre uma série de artigos que andei lendo e apresentar um seminário para meus colegas, até que não será ruim ficar a maior parte do tempo em casa -- trabalhando. Depois de quinta, será feriado, e eu prometo explorar um pouco o universo lá fora. Que o tempo ajude.

Publicado por j_kern_rs às 01:43 AM | Comentários (2) | TrackBack

Imagens...

Mais especificamente, só imagens de corpos. Não digo mais.

Publicado por j_kern_rs às 12:31 AM | Comentários (3) | TrackBack

março 22, 2005

Severino!

O que é mais interessante do novo presidente da Câmara dos Deputados brasileira, o Sr. Severino Cavalcanti, é a sua capacidade de falar abertamente, diante de microfones, de certas atitudes políticas muito corriqueiras mas que, tecnicamente, não poderiam jamais ser assumidas à luz do dia. Não é todo dia que temos uma figura política neste posto -- o terceiro na "linha sucessória" para Presidente -- admitindo abertamente e com inegável orgulho haver usado da sua influência para liberar, por exemplo, um bêbado infrator de trânsito por este ser de seu reduto eleitoral. Também achou muito normal ter empregado parentes seus na Câmera. Agora, desafia publicamente o Presidente Lula por um ministério na iminente reforma ministerial. Quando a filha Ana não está por trás para cutucar-lhe, Severino expõe as práticas diárias da política brasileira -- nepotismo, fisiologismo e coisas afins. Só a dúvida que fica é se o faz por coragem ou simplesmente por ingenuidade. Se for este segundo o caso, há de se rogar aos céus para essa história toda não acabar muito, muito mal.

Publicado por j_kern_rs às 01:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

Marketing direto

Detesto quando liga para meu telefone uma moça muito simpática para convencer-me a filiar-me a um novo cartão de crédito, uma nova operadora de celular, um novo provedor de internet. Hoje me ofereceram "um mês grátis" de um provedor. A insistência da moça em descobrir por que eu não tenho o menor interesse em experimentar um provedor novo passou dos limites do razoável. Você acaba tendo que ser ríspido com uma pessoa que não tem a menor culpa da situação, está apenas fazendo o seu trabalho. Definitivamente, este não é um mundo justo.

Publicado por j_kern_rs às 02:11 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 20, 2005

All of Jazz

Ontem fui . Muito legal. Nunca conheci muitos lugares para ouvir boa música ao-vivo sem agredir meus ouvidos.

Hoje, domingo ensolarado, e eu preciso trabalhar. Pode?

Publicado por j_kern_rs às 02:25 PM | Comentários (2) | TrackBack

março 19, 2005

Entre umas e outras... (cinema)

Até que não posso reclamar da minha rotina cinematográfica aqui em São Paulo, já que tive a perspicácia de morar suficientemente próximo da Av. Paulista para poder chegar a vários cinemas a pé, com a maior comodidade. O difícil, é claro, é acostumar-me a pagar para ver um filme dez vezes o valor que eu costumava pagar, como estudante, em Porto Alegre. Ainda não consigo entregar mais que dez reais para a moça do caixa e não sentir-me roubado.

Mas não era disso que eu queria falar, e sim do último filme que vi e que me atingiu de forma bastante pessoal, é uma "comédia séria" chamada de Sideways - Entre umas e outras e você deve encontrá-lo ainda em cartaz com certa facilidade em qualquer cidade com uma razoável oferta de cinemas.

Acho que o filme anterior do diretor foi Confissões de Schmidt. Recordo-me, curiosamente, que meu orientador comentou vivamente sobre o filme, o que talvez fosse compreensível por ele estar numa faixa etária semelhante ao seu personagem principal -- um sexagenário trabalhador americano que precisa reconstruir sua vida a partir da nova realidade da aposentadoria. Quanto a este Sideways, não sei se é bom sinal eu ter me tocado tanto pelos personagens, principalmente o quarentão melancólico e solitário que funciona como principal protagonista da história.

Para quem não viu, a trama gira em torno de dois amigos, Miles e Jack, que saem numa viagem de uma semana pelas regiões vinícolas californianas, uma espécie de despedida de solteiro do segundo. Miles é um escritor que nunca conseguiu publicar um livro, sofre ainda pelo casamento terminado, e só consegue sentir que sua vida está indo -- ou já foi -- para o buraco. Jack, por outro lado, um ator de comerciais e telenovelas, um quarentão revivendo sua adolescência, buscando viver sempre o presente.

Os dois personagens, representando pólos distintos do universo masculino, são muito bem representados pelos seus atores, com uma simplicidade que alias é a melhor coisa do filme: Sideways chega parecendo que vai ser só uma comédia americana sem conseqüências mas você acaba irremediavelmente solidário com a infelicidade crônica de Miles e a quase infantilidade de Jack. Para o primeiro, o fracasso literário e pessoal é um buraco do qual já não acredita que seja possível sair, os vinhos guardados na adega para os "momentos especiais" nunca serão abertos, permanecendo como amuletos sagrados do seu fracasso. Jack, por outro lado, quer transar com o máximo de mulheres antes de se casar, mas por trás da sua felicidade aparente e suas sábias frases de psicanalista para tentar aconselhar o amigo deprimido, está um homem dominado por um medo terrível da solidão -- o que rende uma das melhores cenas do filme, quando ele chora como uma criança por temer haver arruinado seu iminente casamento.

O filme não comete nenhum dos tantos pecados que são padrão na indústria americana e que estragam tantos possíveis bons filmes. O resultado é um retrato do universo masculino que cativa e diverte. Foi o primeiro filme que eu assisti no Belas Artes da Consolação, o cinema mais próximo do meu apartamento, e foi uma maravilhosa estréia.

Publicado por j_kern_rs às 05:22 PM | Comentários (2) | TrackBack

Dá-lhe Fluffy....

Publicado por j_kern_rs às 02:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

Notícia

Façam o seguinte, leiam os três primeiros parágrafos dessa notícia.

Se vocês tiverem um senso de humor um pouco mórbido como o meu, precisarão de dois minutos para conseguir parar de rir; depois disso, podem continuar lendo até o fim.

Publicado por j_kern_rs às 01:33 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 18, 2005

Life as it should be

Primeiros dias no apartamento, tempo de recriar pequenas rotinas e reencontrar certos rituais que a gente abandona um pouco, quando em trânsito. Hoje à noite, vou cozinhar uma refeição completa pela primeira vez. Esqueci-me de comprar um vinho -- mas, de qualquer forma, não seria muito digno tomá-lo em copos de plástico. Felizmente, existem os copos de extrato de tomate que, breve, darão cargo desse meu problema.

Agora, a pergunta que não quer calar: como eu consegui viver até hoje sem internet rápida? Dois dias com essa novidade e já tenho dificuldade de imaginar a vida sem ela. Definitivamente, a pobreza não é coisa bonita.

Publicado por j_kern_rs às 10:25 PM | Comentários (2) | TrackBack

março 17, 2005

O Rapaz (irrisória tragédia de amor e morte)

O rapaz, pobre rapaz, não imaginava tudo que seria quando ela invadiu o elevador com seu perfume azedo de colônica misturada com o suor de um dia muito quente. Não pensava nada demais ao quebrar o ronronar do elevador com algum comentário sem criatividade sobre o clima. O rapaz não imaginava o efeito de seu rosto anguloso, sua barba por fazer, seu sorriso um pouco alienado, na pele daquela moça que morava no quinto andar.

Ela precisou convidá-lo para tomar uma cerveja porque o rapaz, é claro, não imaginaria. E que ingenuidade sua não perceber os sorrisos um pouco gratuitos, o jeito dela ao sentar, as suas mãos arrumando os cabelos e a ansiedade projetada no olhar. O pobre rapaz nem teve presença de espírito para, no sábado, convida-la a passar a tarde no parque que ficava nas proximidades, e teria ficado tudo por isso mesmo se, naquele domingo tórrido, um bilhetinho não passasse por baixo da sua porta. Ela recebeu-o avidamente e quase puxou-o para dentro com o olhar. Nunca ele poderia conceber a atração avassaladora que aquela sua ingenuidade provocava na moça do quinto andar. Ela sorriu mais, sentou-se mais perto e mexeu mais nos cabelos, liberando um perfume que nem esse rapaz pôde ignorar. Pobre rapaz, que um momento antes, ainda pensou, um pouco nervoso, se não estaria indo rápido demais. Naquela noite, ela recebeu-o com gritos e unhas, e quase derrubou o abajur do quarto com um golpe de pernas. O rapaz acordou assustado, no outro dia, ainda sentindo as marcas nas suas costas. Mas voltou, mais e mais vezes, e decidiu afinal que tanto grito e tanto suor não podia ser mais que o amor que havia sempre esperado para sua vida. O néscio, crente de que o amor que julgava sentir lhe proporcionava uma nobreza irrecusável, pediu em namoro a moça do quinto andar, e simplesmente não entendeu nada da risada que escapou dos lábios dela -- mais tarde, à noite, creditou-o erroneamente à felicidade. Não acreditava, nem se o explicassem com calma, que a sutil linha entre a ingenuidade que atrai e aquela que só conseguia produzir o irresistível desejo da trapaça era possível de ser cruzada com o mais simples gesto. Quando finalmente chegou, ela já havia ido, e de longe entregava seu corpo com maior ardor ainda, acendendo na alma do pobre rapaz sonhos que nunca ousara sonhar. Enquanto isso, passou a comentar dele com as amigas e vizinhas do edifício. Ria de seu porte minúsculo, dizia seu gozo ser precoce, dizia seus olhos serem cegos e, para melhor demonstrá-lo, começou a sair com o solteirão do décimo-quarto. Cuidou que todo o prédio soubesse, afinal, que se entregava ao solteirão enquanto que o rapaz, coitado, se perguntava o porquê daquela dor de cabeça tão insistente que começava a perturbar as noites de seu amor -- até se propôs a conversar com um amigo seu, médico.

Foi com absoluta surpresa que o pobre rapaz entrou no elevador para interromper um beijo ardente entre o seu amor e o solteirão do décimo-quarto, e por mais que pensasse, não sabia o que havia dado errado com todos seus sonhos, nem sabia como curar seu ego ferido.

Não é de se surpreender, por tudo isso, que na noite seguinte tenha levado consigo, de volta para seu próprio apartamento, sendo este o erro de avaliação mais primário que já cometera, a faca de cozinha com que degolou a moça do quinto andar, e justamente por causa deste deslize esteja até hoje mofando numa cela do presídio central.

Publicado por j_kern_rs às 11:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 16, 2005

Momento Histórico

Finalmente, meu computador saiu da caixa, dengoso como só ele é, exigiu minha atenção para resolver uma estranha pane do modem -- nada que após abrir e fechar a máquina umas três vezes eu não fosse capaz de resolver. considerando todo o tempo que o coitadinho teve que ficar na caixa, até que não foi muito. Agora escrevo pela primeira vez do meu próprio computador, no meu próprio apartamento em São Paulo. Ainda estou com a conexão lenta, discada, mas isso logo logo irá mudar...

Publicado por j_kern_rs às 02:43 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 14, 2005

Minha musa

As vezes, acho que deveria elegar a isônia como minha grande musa. Ela, que desaparece por tempos para reaparecer, sem avisar, mais charmosa, com um novo corte de cabeço, uma nova tatuagem no ombro, uma roupinha casual e provocante. Como negar-lhe o acesso ao meu leito?

No dia seguinte, a ressaca moral e, com sorte, um texto.

Publicado por j_kern_rs às 03:23 PM | Comentários (3) | TrackBack

Aventuras Urbanas

Definitivamente, não faço o tipo aventureiro. Não sinto nenhuma emoção ao ver essas propagandas em que um carro possante desliza em meio ao barro e pedras, também confesso que não tenho aspirações de colocar uma barraca nas costas e entrar no mato para dormir na companhia dos insetos e animais silvestres. Faço questão de ter sempre a mão algumas das maiores invenções da espécie humana, como o esgoto encanado e interruptores de luz.

De fato, sou um indivídio urbano, cresci assim e, por mais poluição, barulho e sujeira, até hoje não me sinto em nada compelido a mudar isso. Natureza combina com férias, combina com visitar parentes do interior, relembrar coisas da minha infância, ou passear pelo Jardim Botânico num domingo ensolarado. No dia-a-dia, estou muito bem no meio da selva de pedra. Não sou tão radical, claro, quanto um amigo que defende que a única solução para a Floresta Amazônica seria sua derrubada e sua pavimentação para transformá-la no maior estacionamento descoberto do mundo. Não, para mim é ótimo que a Floresta Amazônica esteja lá, só não me convidem para desbravá-la.

Sou um indivíduo urbano, enfim, e assim sendo as aventuras da minha vida correspondem não a caminhadas ou escaladas, mas aos momentos de descobrir uma nova cidade. Foi assim há dez anos, quando cheguei para fazer faculdade na remota província de Porto Alegre dos Casais. Agora, posso matar essa saudade da sensação de aventura urbana, de lutar para descobrir os lugares, para chegar até eles, e a ansiedade para finalmente dormir no meu apartamento, ainda tão vazio e despersonalizado. Nessas últimas noites, essa ansiedade trouxe de volta minha velha companheira das noites solitárias, a insônia. Como o colchonete improvisado onde estou dormindo é estreito demais para nós dois, trago a insônia até a mesa, até a folha de papel que substitui o computador empacotado.

Essa aventura urbana, por hora, tem dado muito certo. Mas já chega a hora de ter alguma normalidade de volta, deixando a cabeça tranqüila para pensar em ciência, que foi isso que me trouxe até aqui, em última instância. A insônia, também, moça irriquieta como é, vai acabar se chatendo com essa normalidade e indo embora, o que para mim será ótimo, se bem que certamente não tão bom para a poesia -- ao menos, a melancólica poesia das madrugadas insones.

Publicado por j_kern_rs às 03:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 10, 2005

Mudanças

As últimas semanas foram de bastante trabalho, muita corrida atrás de apartamento, e falta de computador em casa. A conseqüência óbvia se vê neste blogue. Essa história não dura para sempre, com sorte nesse final de semana já faço minha mudança para meu cubículo definitivo. Não é o maior apartamento de São Paulo, mas será único por ser o meu, ao menos por uma temporada...

Publicado por j_kern_rs às 06:47 PM | Comentários (2)