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fevereiro 27, 2005
Das ruas de uma cidade
Nesta sexta, deixei-me levar pelo magnetismo irresistível do centro de Porto Alegre, sua espinha dorsal que é a Rua dos Andradas. Passei pela tarde, aproveitei para ver dois filmes dos quais posso eventualmente comentar, um deles o interessante Sonhadores, de Bernardo Bertolucci. À noite, caminhando pela Andradas, que de fato conhecemos por Rua da Praia, respirei com satisfação o cheiro dos churrasquinhos de gato, as calçadas tomadas pelas lonas de plástico sobre as quais os ambulantes exibem suas roupas, tênis e bolsas, CDs falsos, até mesmo livros e roupas íntimas femininas. Interessante como essa rua, assim tomada pelo povo, torna-se viva, convidativa. Lembro-me, há vários meses, de haver comentado em meu blogue anterior uma situação diversa, quando fiz o mesmo trajeto, também à noite, mas com a rua quase vazia, num final de semana em que o público era tão escasso a ponto dos ambulantes não julgarem válido ir ao seu trabalho. Nessa ocasião, a caminhada foi angustiante, claustrofóbica, desagradável. As ruas de uma cidade, à noite, principalmente as ruas apertadas do centro, vivem melhor quando apinhadas de gente, respiram quando quase não há espaço para caminhar, espremidos entre os incensos e as portas fechadas das lojas, e seus olhos brilhantes são as lâmpadas de iluminação pública, suavemente iluminando as tantas e diversas criaturas que passam por aí seus destinos.
Publicado por JK em fevereiro 27, 2005 03:49 PM
