JK's logo

« janeiro 2005 | Entrada | março 2005 »

fevereiro 27, 2005

Das ruas de uma cidade

Nesta sexta, deixei-me levar pelo magnetismo irresistível do centro de Porto Alegre, sua espinha dorsal que é a Rua dos Andradas. Passei pela tarde, aproveitei para ver dois filmes dos quais posso eventualmente comentar, um deles o interessante Sonhadores, de Bernardo Bertolucci. À noite, caminhando pela Andradas, que de fato conhecemos por Rua da Praia, respirei com satisfação o cheiro dos churrasquinhos de gato, as calçadas tomadas pelas lonas de plástico sobre as quais os ambulantes exibem suas roupas, tênis e bolsas, CDs falsos, até mesmo livros e roupas íntimas femininas. Interessante como essa rua, assim tomada pelo povo, torna-se viva, convidativa. Lembro-me, há vários meses, de haver comentado em meu blogue anterior uma situação diversa, quando fiz o mesmo trajeto, também à noite, mas com a rua quase vazia, num final de semana em que o público era tão escasso a ponto dos ambulantes não julgarem válido ir ao seu trabalho. Nessa ocasião, a caminhada foi angustiante, claustrofóbica, desagradável. As ruas de uma cidade, à noite, principalmente as ruas apertadas do centro, vivem melhor quando apinhadas de gente, respiram quando quase não há espaço para caminhar, espremidos entre os incensos e as portas fechadas das lojas, e seus olhos brilhantes são as lâmpadas de iluminação pública, suavemente iluminando as tantas e diversas criaturas que passam por aí seus destinos.

Publicado por j_kern_rs às 03:49 PM | Comentários (0)

fevereiro 25, 2005

Preguiça e outras coisas

Essa cidade não me faz bem, porque eu venho para cá e começo a acordar mais tarde, chegar atrasado ao campus, enfim, velhos maus hábitos que me espreitam. Semana que vem volto para São Paulo e viro operário padrão, eu juro.

Enquanto isso, alguns comentários sobre o jornal de hoje (Folha de São Paulo):

Publicado por j_kern_rs às 01:58 PM | Comentários (0)

fevereiro 23, 2005

Existem poetas tropicais?

Pode haver poetas tropicais? Dá para imaginar poesia num mundo que ferve sob um sol impiedoso, e uma pele que reclama da umidade angustiante do ar?

Creio que sim, mas para mim definitivamente o calor é anti-poético, só me causa preguiça, modorra -- e, aliado ao constante entra-e-sai de ambientes climatizados, uma irritação de garganta. O verão portoalegrense é completamente contra-produtivo.

A velha Porto Alegre dos Casais, assim calma sob o sol impiedoso do verão, é a absoluta encarnação desse clima preguiçoso. Caminhando por algumas de suas ruas -- pasmem! -- encontro reflexos meus nas vidraças do passado, e aí percebo, apesar do suor e da exaustão, uma pequena poesia que nasce desse reconhecimento.

Pode haver poetas tropicais, mas no meu caso, trata-se de um prosador levemente nostálgico, e dizer isso já é uma enorme concessão.

Publicado por j_kern_rs às 07:20 PM | Comentários (0)

Algumas palavras mais

Reunião do grupo de pesquisa aqui em Porto Alegre, aproveito o tempo vago para rever amigos e lugares queridos. Ontem deliciei-me com um maravilhoso buffet de sushi, que já vinha populando minha cabeça há tempos. Afora isso, muita discussão sobre ciência, café e um pouco de literatura nas horas vagas.

São Paulo de novo, só terça-feira que vem.

Publicado por j_kern_rs às 07:09 PM | Comentários (0)

Uma palavra

Mesmo em finais de fevereiro, com a volta às aulas batendo à porta, ainda se pode dizer de Porto Alegre dos Casais: uma calmicidade.

Publicado por j_kern_rs às 05:53 PM | Comentários (2)

fevereiro 20, 2005

Visita

Alguma coisa acontece no meu coração... quando vejo as águas do Guaíba passando por baixo de mim, durante o pouso no Aeoroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Posso dizer, agora, que estou de visita a minha terra. Ela recepcionou-me com um forte calor, abafado, suarento, típico do verão daqui. Nada de chuva sob o céu portoalegrense, que me abrigará durante toda a semana. A garoa, de novo, só em primeiro de março.

Publicado por j_kern_rs às 01:27 PM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2005

Ainda Guimarães Rosa...

-- Será que chove, Primo?
-- Capaz.
-- Ind´hoje? Será?
-- 'Manhã.
-- Chuva brava, de panca?
-- Às vez...
-- Da banda de riba?
-- De trás.

Dei risadas no ônibus, saindo da USP. Se alguém me viu, deve me ter achado um maluco. Mas, na verdade, esse conto, Sarapalha, é muito trágico. Conta uma tarde derradeira na vida de dois primos, remanescentes de uma vila devastada pela malária. A tragédia da vida contada entre os acessos de tremor e febre típicos da doença. Muito bom.

Publicado por j_kern_rs às 01:28 AM | Comentários (1)

Letargia

Passei o dia de hoje numa impressionante letargia. Será a idade chegando? Pode ser, considerando que ontem fiquei um ano mais velho. Primeiro aniversário que passo tão distante dos meus familiares e velhos amigos lá da remota província. Poderia ser um dia muito desanimador e solitário, por isso, mas não foi. Aliás, descobri uma das coisas mais interessantes de passar o aniversário distante de seus amigos: ser lembrado. Sem organizar nada para meu aniversário, nenhum churrasco ou encontro, recebi várias felicitações, por todos os meios disponíveis a um ser humano contemporâneo. Isso foi muito interessante.

(Sentir essa proximidade com os que estão distantes, como senti ontem, tem tudo a ver com um post de hoje da Bailarina das Letras. A ciência -- e sua filha adotiva, a tecnologia -- conseguem eliminar distâncias. Percebendo isso, me pergunto, se não fosse nossa tão reiterada teimosia em construir muros, visíveis e invisíveis, viver nesse mundo não seria tão mais simples e prazeroso?)

Por mais afastado de minha terra, ainda assim eu tinha alguns portoalegrenses conhecidos também perdidos cá na selva paulistana e, juntos da autora do Proseando, que também pôde marcar presença, eles foram minha companhia para uma boa pizza, encerrando assim o dia. A mesa do restaurante, pequena, ainda teve espaço, reparem, para todos os que deveriam estar lá em pessoa, mas que por um motivo ou outro, pela distância grande ou pequena, tiveram que ocupar o lugar que lhes é eternamente devido no recanto mais aquecido e confortável da minha alma.

Publicado por j_kern_rs às 01:00 AM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2005

A canção triste do pretinho

E o pretinho cantava, quase chorando, soluçando mesmo.... Era assim uma cantiga sorumbática, desfeliz que nem saudade em coração de gente ruim... Mas, linda, linda como uma alegria chorando, uma alegria judiada, que ficou triste de repente:

..."Ninguém de mim
ninguém de mim
tem compaixao"...

do conto O Burrinho Pedrês, de Guimarães Rosa

É isso aí, estou lendo Sagarana. E gostando.

Publicado por j_kern_rs às 11:27 PM | Comentários (2)

Maravilhas...

...das maravilhas essa internet, mesmo em São Paulo posso ouvir minha rádio preferida.

Publicado por j_kern_rs às 04:08 PM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2005

Velha Guarda

Não sou de acompanhar desfiles ou coisas do gênero, mas até eu fiquei triste com o que aconteceu com a velha guarda da Portela, no carnaval do Rio. Esse pessoal merecia bem mais que isso, só pelo patrimônio cultural que carregam nas velhas veias.

Publicado por j_kern_rs às 07:53 PM | Comentários (0)

Primeiras Impressões

O que é uma primeira impressão diante da continuidade dos dias? Mas, com pouco mais que uma semana em São Paulo, já dá para colecionar algumas primeiras impressões. Há de contar em favor dessa cidade a época do ano, tudo mais calmo que o habitual, mas em vários momentos eu consegui olhar para suas ruas com uma certa simpatia, consegui reconhecer nestas esquinas lapsos do que poderia ser uma minha cidade. Esse reconhecimento é fundamental e ajuda a definir o que é nossa relação com uma cidade, que se torna não apenas um lugar onde transcorre uma parte da história mas sim uma personagem que interfere ativamente nela.

Nesses dias, essa imensa personagem que é São Paulo concedeu-me alguns sorriso de simpatia.

Publicado por j_kern_rs às 07:39 PM | Comentários (2)

Lost in Translation

Não poderia haver melhor filme para rever nestes dias que "Encontros e Desencontros" - Lost in Translation, de Sofia Coppola, justamente por eu mesmo olhar para fora e enxergar as luzes de uma imensa cidade que me é estranha, onde acabarei necessariamente deparando-me com minhas limitações ao mesmo tempo que vivendo minhas possibilidades.

O encontro de dois solitários numa megalópole estranha e a delicada relação que desse encontro acaba nascendo é um bom exemplo do que a união de uma boa história e uma boa diretora conseguem criar. Aliás, no caso, a boa história e a boa direção acabam coincidindo na mesma pessoa, Sofia Coppola, que já realizou dois filmes, um melhor que o outro.

Tudo neste Lost in Translation depende da relação entre os dois protagonistas que, interpretados muito bem e interessantes por si só, juntos compõem algumas das melhores cenas que vi no cinema americano dos últimos anos. Bob Harris é o ator hollywoodiano em final de carreira, gravando comerciais para um uísque no Japão. Charlotte é a jovem e bonita esposa de um fotógrafo profissional. Ambos estão isolados e solitários no mesmo hotel, cravado numa gigantesca cidade oriental, estranha e incompreensível. Talvez a estranheza com o mundo que os rodeia torna mais claro, para ambos, como estão perdidos.

Embora tão diferents entre si, tão próximos entre si. Ambos não conseguem entender exatamente sua posição no mundo, ambos não se sentem adequados na vida que levam. E foi preciso estarem perdidos num universo desconhecido, sem entender o oceano de palavras e símbolos ao redor, para se aproximarem e pressentirem o quanto eram parecidos e o quanto faziam bem um ao outro.

Essa é a feliz descoberta que o filme retrata de uma forma contida, carente de exageros, adornos desnecessários, e admiravelmente bela. A possibilidade de estar completamente perdido e encontrar o outro, e assim encontrar a si mesmo. E entender que, afinal, podemos ser incomparavelmente melhores quando não estamos sozinhos.

Publicado por j_kern_rs às 07:15 PM | Comentários (0)

fevereiro 07, 2005

Domingo de erros

Uma grande amiga ainda dos tempos de colégio está também em São Paulo, iniciando residência em oftalmologia. Ontem ia mostrar-lhe um pouco do que já conheço dessa cidade, um dose de propaganda de um paulistano neófito para promover um pouco do que essa megalópole tem de interessante, mas a propaganda acabou saindo ao revés. Ela tropeçou e caiu no caminho, machucou feio o joelho, teve que levar pontos e vai andar com muletas por algum tempo. Ao invés de museus e parques, nosso domingo foi de hospitais e farmácias. Mas ao menos descobri que, como enfermeiro, eu sou um grande físico téorico.

Publicado por j_kern_rs às 08:22 PM | Comentários (0)

fevereiro 04, 2005

Coleções

Já decidi qual será minha coleção, quando decidir ter uma: será daqueles gatos de madeira, como esses, que se encontram em variados formatos e tamanhos em todo lugar. Pensei numa estante repleta deles, e pareceu-me muito bem.

Publicado por j_kern_rs às 12:47 AM | Comentários (4)

fevereiro 03, 2005

Poesia dos guarda-chuvas...

Adorei essa imagem da capa da FSP de hoje, da procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre.

Considerando o calor senegalesco que passei nas últimas semanas em Porto Alegre e a seca que tem feito pela região, esse desfile de guarda-chuvas pareceu-me particularmente bonito.

E a poesia? Reside no coração nostálgico, oras...

Publicado por j_kern_rs às 08:30 PM | Comentários (2)

Chato

Faço minhas as palavras do meu amigo Luis, este blogue ultimamente está muito, muito chato. Seu dono deve ser obviamente culpado por isso.

Minha rotina também tem sido um pouco chata. Começou a procura por um apartamento, que pode ficar mais longa do que eu pretendia. Afora isso, algumas coisas boas -- se bem que pequenas -- já ocorreram. Já tenho minha mesa no meu novo departamento, com um computador só para mim à disposição. Em tempos chatos, foi uma emoção, acreditem.

Publicado por j_kern_rs às 12:23 AM | Comentários (2)

fevereiro 02, 2005

Sílvia

Ontem me dei conta de que (provisoriamente) eu moro no Ed. Sílvia, que fica na Rua Sílvia, e sempre que acordo vou tomar um café da manhã na padaria Sílvia, que fica logo em frente.

Antes que perguntem, não, eu não acho que isso tenha qualquer significado cósmico profundo.

Publicado por j_kern_rs às 11:59 AM | Comentários (2)