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janeiro 20, 2005

Um novo (velho) estudante

Uma semana como estudante, e muito diferente daquele que fui durante a graduação. Naquela época, eu costumava sair da sala quando a aula perdia o interesse e o professor mergulhava numa longa explicação ou cálculo cujo resultado eu já percebia qual seria. Nesta semana, a vontade é de levantar e ir embora quando já não consigo acompanhar quase nada do que é explicado, e isso acontece quase o tempo todo. Deve haver algum senso de justiça cósmica funcionando aqui.

As vezes, no meio dessas explicações que me escapam, tenho que me contentar com prazeres mais fugazes e tangíveis que o prazer da compreensão. Dia desses, completamente perdido no que ia lá pelo quadro-negro, repentinamente senti um maravilhoso perfume chegando até mim. Casualmente, dei-me conta de estar sentado ao lado de uma das poucas mulheres da audiência (apenas quatro alunas entre umas cinquenta ou mais pessoas). No meio do oceano de jovens pesquisadores, uma aluna, que fazia perguntas bem mais inteligentes do que eu seria capaz de fazer naquele momento. E com um delicioso perfume. Durante boa parte daquela aula, era a única coisa que fazia algum sentido.

Poderia pensar, que decadência, do aluno que antevia tudo que o professor pretendia mostrar ao aluno que só consegue aproveitar a presença da encantadora aluna ao seu lado -- e justamente no tipo de curso menos adequado para essa última espécie de atividade. Mas, de novo, pensando melhor, talvez não.

O fato é, difícil acompanhar as idéias que se discutem por aqui. Considerando que há quatro ou cinco anos, nestes congressos/escolas, eu entendia muito menos do que hoje, ao menos dá para pressentir algum progresso.

Comentário lateral: atendo-se à ciência, o que me pergunto não é se um dia serei capaz de encontrar respostas para o que se pergunta hoje em dia em física teórica: é se conseguirei ao menos, um dia, entender as perguntas.

Publicado por JK em janeiro 20, 2005 09:41 PM

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