« Injustiça | Página Inicial | Cheguei »
janeiro 29, 2005
Formatura
Hoje vi formar-se a última remanescente da minha turma de segundo grau, uma amiga de longa data com a qual eu infelizmente conversei bem menos do que deveria desde que vim para Porto Alegre. De fato, sou desses amigos que tem o péssimo hábito de desaparecer, não mandar cartas, telefonemas ou sinais de fumaça. Felizmente, apesar disso, tenho a sorte de conhecer pessoas maravilhosas, que na simplicidade e humanidade da sua trajetória me ensinam do que de melhor tem o ser humano. Eu só tenho admiração por essa pessoa que se formou hoje como cirurgiã dentista, pois sei da luta que foi para entrar na universidade e para conseguir manter-se no curso, o que, mesmo numa universidade gratuita, não é simples -- e espero que o MEC lembre-se disso ao implementar efetivamente seu novo programa de bolsas.
Foi uma bela formatura, apesar de muito longa. E percebeu-se claramente um interessante fenômeno sociológico. O cerimonial das formaturas na UFRGS não deve fugir ao convencional, cada formando chama o seguinte, que se levanta, caminha entre os colegas, vai receber seu diploma e depois fazer seu discursinho. O primeiro terço da turma a se formar foi composto basicamente de mulheres, elas se levantavam, abraçavam uma ou duas colegas e caminhavam até a mesa das autoridades. Após, chegou a vez de um grupo dominado basicamente pelos rapazes. Cada um que era chamado era efusivamente abraçado por todos, formava-se uma verdadeira nuvem de togas que era muito bonita de se ver. A alegria comum e o coleguismo pareciam infinitos. Enquanto isso, as moças da fila de trás ficavam quietas. Eram como duas turmas em uma, e essa divisão em particular contemplou o velho chavão social: os homens formavam um grupo coeso e animado de amigos, as mulheres, parecendo brigadas entre si, mal se cumprimentavam. Os especialistas em comportamento humano que analisem isso.
Depois, na janta, pude rever várias pessoas de meus anos de colégio. Algumas colegas de que me lembro desde o primário agora são mulheres, bonitas, preocupadas com trabalho e carreira. Falaram em organizar um encontro comemorando os dez anos da nossa formatura. Achei uma fabulosa idéia, pena que não deverei estar por perto para ajudar a organizar.
Falando em organizar, tenho que desmontar esse computador e encaixotá-lo. Amanhã, uma longa viagem me espera.
Publicado por JK em janeiro 29, 2005 03:47 AM
Comentários
Belo comentário, cheguei a sentir saudade dos meus tempos de ensino médio os melhores dias da vida de uma adolescente onde ousamos desafiar a liberdade sem termos o peso de muitas responsabilidades nas costas. Ainda não tive o privilégio de ter todos os meus mais queridos colegas graduados e infelismente não sei se poderei mas enquanto isso faço minha parte.
Nossa me deixaste muito melancólica e nostáugica, sim foram os melhores dias(pareço ainda ouvir os berros nos corredores).
Mas agora, dando um palpite muito furado a respeito de teu comentário sobre a desunião, da estranhesa das mulheres em relação a suas colegas, digo que concordo e lamento. Os homens são "uma raça" unida, solícita e solidária com seus semelhantes já as mulheres se vêem umas as outras desde os primordios da infância com um senso de competitividade imprecionante e isso pelo simples fato de existirem. Não importa se estão na mesma classe, no mesmo emprego, no mesmo ramo profissional dos seus sonhos, ou se disputam ou não o mesmo principe encantado. Elas competem (elas não, nós), mesmo sendo grandes amigas , mesmo sendo grandes cúmplices elas precisam intintivamente alfinetarem-se vez que outra. Essa competição, julgo positiva pq se não fosse esse instinto que os hormônios femininos geram teriamos bem menos mulheres saradas, competentes e desejosas do melhor ( essa competitividade que nos faz tentar sempre sermos as melhores as mais gostosas e as mais poderosas), acredito eu, que diferentemente dos motivos masculinos de tentarem tbm ser sempre o "The best". Talvez por isso eu tenha por toda vida desde o pré primário até os dias de hoje tentado ser a "Luluzinha do Clube do Bolinha". E as mulheres que tentam a todo pano e custo serem tratadas de igual para igual com a "raça masculina" deveriam tentar primeiramente imitar esse instinto masculino de preservação da espécime primeiramente e o restante seria acrescido como premio da natureza pelos bons préstimos oferecidos às semelhantes.
Perdoe-me pelo devaneio e delete esse comentário se julgar demasiadamente insano e dixlexo e pode por fvor arrumar algum antropologo que me explique pq as venuzianas são assim?
Publicado por: Val em janeiro 30, 2005 01:00 AM
Buenas, Val, essa foi justamente a teoria que me foi passada durante a formatura, a saber, uma competitividade muito acirrada entre as mulheres, principalmente aquelas de uma classe econômica maior. Um pouco coerente com isso, a minha amiga que se formava, uma mulher maravilhosa filha de pedreiro e dona de casa, fazia parte daquele grupo animado que se abraçava, e não das menininhas frias e indiferentes da fila de trás.
Mas enfim... foi uma observação minha, um pouco exagerada talvez, mas acho que captura mesmo alguma coisa. Infelizmente não conheço suficiente de mulheres, no geral e no particular, para dar uma opinião definitiva... afinal, alguém pode?
No fringir dos ovos, o mais importante foi... minha amiga se formou, e isso me deixou muito feliz.
Para você, um abraço, e obrigado pelo comentário!
A.
Publicado por: Alysson em janeiro 31, 2005 02:31 AM
